quarta-feira, 9 de agosto de 2017

Conto de Bambas com Tania Nara

CONTO DE BAMBAS

Na foto Tânia Nara e Rudnei Santos.

Tânia Nara Silveira da Silva, de Porta Estandarte a Diretora.

O tradicional Conto de Bambas do Padedê do Samba teve mais uma edição que aconteceu no dia cinco de agosto de 2017 na Casa de Cultura Mário Quintana em Porto Alegre.

Vale lembrar que o quadro “Conto de Bambas”, atividade criada na Escola matriz, Manoel Dionísio do Rio de Janeiro, é considerada de suma importância na formação dos novos destaques, onde são apresentados aos alunos, ícones e personalidades, com grande expressão na história do carnaval gaúcho e que trarão suas vivências e experiências para contribuir no aprendizado dos postulantes ao estrelato.

A personalidade escolhida foi a ex-Porta Estandarte Tânia Nara Silveira da Silva que desfilou por mais de uma década no Império do Sol e na Academia Samba Puro. Ela nos conta que iniciou na Escola de Samba Os Dragões[1] de São Leopoldo[2] como desfilante, sempre almejou e desejava ser uma Porta Estandarte... Achava difícil e quase impossível se tornar uma, pois os tempos eram difíceis e as dificuldades de acesso à dança eram gigantes. Nos conta que o mais próximo que chegou, na época, foi participar de um grupo de tradições gauchescas a dar os seus primeiros rodopios.

Ela então comenta que tinha uma ideia fixa: “eu quer ser a porta estandarte da escola”. Era um desejo muito distante, enfatiza; então Tania traça uma comparação para incentivar aos alunos do Padedê, para dar valor e importância às aulas e para as lições dos instrutores:

“[...]... hoje vocês tem todos os recursos, antigamente não tínhamos nada, nenhuma tecnologia, não tinha celular, filmadoras, internet, YouTube, era tudo muito difícil, os que sabiam um pouco, naquela época, não eram acessíveis... não se ensinava ser uma porta bandeira ou uma porta estandarte... [...] ...hoje há mais facilidades, e também vocês estão dispondo de uma excelente aula, com os instrutores e professores dando dicas e dizendo o que é o certo, o que não é... por isso, aproveitem estes preciosos ensinamentos, pois quando comecei, isso não existia...[...]”

Tania conta que muitas eram as dificuldades quando em 1988 fundaram na Sociedade Rio Branco a Escola de Samba Império do Sol, e que os amigos que ali se juntaram, foram realizando, cada qual como podia, com suas afinidades e desejos; “...eu me tornei a porta estandarte, Silvio de Oliveira o Mestre de Bateria... e assim por diante...”. Conta que teve grande e primordial ajuda do carnavalesco Wilson de Oliveira, que a incentivou a assistir os ensaios em Porto Alegre, “vai nos ensaios do Força e Luz, dos Bambas da Orgia...” dizia ele, e lá se foram... ele dizia para ela prestar atenção nos movimentos, nos trejeitos, na postura, giros e tudo mais... ela ia registrando tudo na memória, para depois chegar em casa e repassar tudo. Com isso passou a admirar muito Onira Pereira e Rosalina Conceição, que passaram a ser suas inspirações.

Admirava muito as vestimentas das guardiãs dos estandartes, e almejava ter aquelas lindas fantasias, com extravagância de cores, de mangas bufantes, das saias bem armadas em muitos metros de filó... suas primeiras fantasias foram mais simples, e seu primeiro desfile foi muito tenso, ela explica que tinha a coragem, mas lhe faltava a experiência de pista, de desfile, o que refletiu em uma nota não tão boa, mas era o primeiro ano da escola, e num todo as notas não foram boas... então ela se saiu na média.

No segundo ano de desfiles dela e da escola Império do Sol, mais um ano difícil... mais uma nota longe da máxima. Ela pensativa exclama: “... não vou desistir, pois é o que quero, então preciso melhorar...”. Com esta ideia firme no pensamento, ela procurou por mais uma ajuda, e encontra na Porta Estandarte Narciza Medeiros incentivo para evoluir no gestual e também articulou uma fantasia mais bonita e de melhor efeito. Ela nos confessa que utilizou de uma grande estratégia: pediu e exigiu do marido, então presidente da escola, que não queria mais presentes, de aniversário ou de outras datas festivas, queria sim que reservasse o valor de todos os presentes em uma magnífica fantasia. Eis que ela conseguiu! Ganhou uma majestosa fantasia, aprimorou a dança e... finalmente tirou a nota 10!

Conta que foi uma trajetória cheia de percalços, as dificuldades seguiam, pois se por um lado, antigamente não se exigia tanto dos destaques, não havia centros de formação, escolas, cursos que balizassem o ensino e as normativas sobre a dança da porta estandarte, assim como a da porta bandeira ou a do mestre sala... mas a cada ano, procurava acrescentar mais algo na bagagem para servir de “trunfo” para alcançar as notas, visto que no carnaval leopoldense é tradição a porta estandarte ser quesito, contando os pontos para o campeonato das escolas.

Dançou no Império do Sol até 1999[3], e no ano 2000 teve uma rica experiência, quando foi portar o estandarte da Academia de Samba Puro, onde foi muito bem recebida pela comunidade, teve na pessoa do Mário Jeferson Pinheiro, que a levou para a escola, um grande aliado, que apresentou o povo da “Maria da Conceição” para ela... e nos conta que foi um ano fantástico...

Tania ainda aconselha os presentes de que nesta época em que ela era um “destaque que dançava”, era um outro tempo, em que era comum uma ajuda de custo, os cachês, e que agora, neste triste período de crise financeira que está assolando o país, quem está pagando a conta é a cultura como um todo e o carnaval com mais penar. Ela acrescenta que é preciso se reinventar, que os destaques tem que rever a sua posição e que não se pode viver, muito menos achar que vai “lucrar” com o carnaval.

“[...]... dancem pelo prazer de dançar, sejam vaidosos, andem bem vestidos, é isso que o povo quer ver, destaques bem vestidos, orgulhosos de seus pavilhões, de suas escolas, altivos, cabeça erguida... mas estudem, nunca deixem de estudar, adquirir conhecimentos, ser ‘alguém na vida’... tenham profissão, não dependam de dinheiro de Escola de Samba [...] ...dá para conciliar as coisas, tem e teve muito destaque que dançava, trabalhava e estudava e deram conta, hoje estão formados... sigam este mesmo caminho, não esperem só pelo carnaval, pois ele está em crise e sem dinheiro...[...]”

A ex porta estandarte, hoje diretora da Escola Império do Sol, acrescenta com sua experiência de que estes tempos difíceis devam ser compreendidos como um desafio a ser vencido e que só será se tiver união e “amor à camisa” de sua escola. Salienta o trabalho árduo de manter sua escola, da difícil tarefa de explicar a falta do ‘cachê’ individual, pois as escolas não dispõem mais de nenhuma ajuda financeira do poder público:

“[...]...dou graças de poder ter dançado em um tempo mais favorável que hoje, que vivi um carnaval diferente de hoje, 12 anos dançando no Império do Sol, que é uma escola consolidada sim, mas porque todas as pessoas que estão lá, ou que por lá passaram, ajudaram e contribuíram para que ela seja o que é hoje, mas sabemos que não se pode parar, aliás o samba não pode parar, senão morre... a nossa preocupação é constante, pois o assombro deste carnaval, fato de o Grupo Prata não ter desfilado em 2017 ainda é muito presente... [...] portanto concluo que esta juventude e todo os carnavalescos da atualidade devem compreender que não estão isolados, que não se faz desfiles e ensaios só com a porta estandarte, ou só com o passista, ou intérprete, e sim o todo, teremos que encarar os fatos de frente; da total falta de recursos e agir com criatividade para ‘driblar’ esta crise financeira... este é o desafio para todos nós que amamos esta cultura chamada carnaval![...]”

Concluiu enaltecendo o trabalho do Padedê do Samba, na pessoa de Simone Ribeiro e de todos os instrutores, pais e colaboradores. Incentivou aos alunos a manter o foco na dança, na postura, não desistir nas primeiras dificuldades, seguir os ensinamentos e trabalhar o corpo e a mente. Aproveitar os melhores recursos deste espaço, para aprender, fazer amizades, conhecer as pessoas, as autoridades, enfim, um espaço de aula, de convívio, de experiência. Finalizando ela diz: “[...]... agradeço imensamente o convite do Padedê, de poder estar neste magnífico espaço de aprendizado, onde vocês estão perpetuando as raízes da tradição do carnaval... muito, muito obrigada![...]”

Após a fala das vivências de Tânia, outro convidado trouxe suas experiências, é Rudnei Costa dos Santos, Diretor de Harmonia do Tuiuti, onde conduz e trabalha com casais de mestre sala e porta bandeiras, desenvolvendo a guarda e a apresentação destes. Conta que conheceu Simone e Tiriri no Rio de Janeiro, quando eles dançaram em algumas escolas cariocas, onde Rudnei os conduziu.  Começou salientando que há muitas e grandes diferenças nas realidades dos carnavais gaúcho e carioca na questão do casal de mestre sala e porta bandeira, e que, não convêm comparações. Porém ele ressalta que há alguns aspectos que são preponderantes e que vale salientar e dizer:

“[...]...vocês tem que se cuidar, porque vocês são a ‘cara’ das escolas que estão, por isso se cuidem, vocês são figuras públicas, não devem se expor, devem zelar pela postura, cuidar com o que postam nas redes sociais, não se envolver em confusões, fofocas, intrigas, bobagens escritas, pois isso dá uma grande repercussão e age negativamente contra você na hora de ser escolhido para ser e compor o casal de uma escola... isso é muito importante, prestem bem atenção nisso...[...]”

Rudnei comentou das atribuições de um mestre de cerimônias, que é a de conduzir o casal pela quadra e nos compromissos da escola, é ele quem leva e cuida do pavilhão quando o casal não está dançando, que apresenta o casal para as autoridades e que baliza o deslocamento durante a apresentação. Importante lembrar que o mestre de cerimonias deve estar bem vestido e ter uma atuação discreta, não deve ser espalhafatoso, tentando roubar a cena do casal e do pavilhão, e que muitas vezes pode atrapalhar a desenvoltura do casal.

Ele volta a salientar da importância da postura do casal, sendo um dos requisitos vitais, e que ele reforça constantemente com os casais que ele trabalha;

“[...] casal que se prese, não vai de bermuda e de chinelo para os ensaios das escolas de samba, também, se estiver dançando, não devem levar o pavilhão para ser saudado e beijado por quem assim estiver vestido, ou fumando, ou bebendo, ou de boné, ou de chinelos e bermuda... no máximo se apresenta de longe a bandeira e só... eu não deixo apresentar o pavilhão para quem não estiver à caráter...[...]”

O Diretor também chamou a atenção para a importância dos 2ºs, tanto do segundo mestre sala quanto da segunda porta bandeira, lembrando do episódio ocorrido com a primeira porta bandeira da Unidos de Padre Miguel que sofreu uma fatalidade durante o desfile, e que, foi substituída pela segunda porta bandeira ainda com desfile em andamento...

Ele ainda explicou a difícil função da Harmonia Geral na compactação do desfile das escolas de samba do Rio de Janeiro, há muitos detalhes para evitar o efeito sanfona que pode prejudicar o todo da escola, e também o porquê do espaço mais limitado e reduzido para os segundos e terceiros casais de mestre sala e porta bandeira, uma vez que não possuem paradas técnicas, por não ser julgados, devem fazer o básico, uma dança com mais evolução pra frente. Depois destas explicações, vieram muitas perguntas e dúvidas que foram mediadas e respondidas aos alunos e aos que estavam presentes na palestra dos dois convidados.

Enfim uma tarde muito produtiva e cheia de ensinamentos para quem acompanhou a aula do Padedê do Samba, que realizará mais encontros como este, sempre com o intuito de exemplificar aos alunos e trazer as experiências e os ensinamentos dos convidados, bambas de nosso carnaval.

Ramão Carvalho.



domingo, 17 de abril de 2016

Vamos começar?


Faltando 14 dias para o início das aulas, resolvemos fazer um texto para esclarecer a importância do alongamento e aquecimento.


Durante o ano nossas aulas serão divididas em três etapas. Dois meses trabalhando resistência física, elasticidade, mais dois meses dando ênfase a coordenação motora e ritmos e os dois meses finais iremos focar em improvisação, expressão corporal e criatividade. 
Todos os exercícios foram planejados para melhorar o desempenho dos nossos alunos durante o ano nos ensaios, shows e principalmente no dia do desfile.

Apesar de muitas pessoas acharem besteira, alongar antes e depois de uma atividade física ajuda a evitar lesões, dores musculares, articulares e aumenta a flexibilidade. Em consequência desse aumento de flexibilidade a pessoa tem mais facilidade para fazer alguns movimentos na dança, deixando assim o movimento mais leve e natural.

O aquecimento serve para aumentar gradativamente a intensidade das atividades. Ele pode trabalhar todo o corpo ou uma parte específica. No caso do Padedê, fazemos aquecimento para todo corpo. Ele ajuda a preparar os alunos para os demais exercícios.

Ao final das aulas é muito importante o alongamento final e um relaxamento, para baixar a frequência cardíaca e evita dores nos dias seguintes.

Agora que já sabem a importância dos primeiros 50 minutos das nossas aulas, é só fazer contagem regressiva e aguardar a chegada do dia 30 de Abril.

Vamos começar?

segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

Uma visão do 1º Seminário de MS&PB

Uma visão e uma avaliação do 1º Seminário de MS&PB por Gisele Mendonça.




O primeiro seminário de Mestre Sala e Porta Bandeira, organizado pela Escola de formação Padedê do Samba, teve como tema principal “A dança nobre do carnaval: Estrutura e qualidade.” O evento contou com a participação de grandes profissionais e pesquisadores de Porto Alegre, São Paulo e Rio de Janeiro.

No primeiro dia, abrindo o seminário Simone Ribeiro, presidente do projeto, falou sobre o início do Padedê do Samba, como ele funciona na prática, explicou que a ligação do projeto gaúcho com o projeto carioca é através do mentor Manoel Dionísio que junto com sua equipe em 2010 selecionou alguns nomes para ministrar as aulas aqui em Porto Alegre. 

Além da apresentação de abertura, Simone apresentou a Lei 11.906 de 8 de novembro de 2015. Esta Lei inclui oficialmente no calendário de datas comemorativas e de concientização do Município de Porto Alegre o dia do Mestre Sala, Porta Bandeira e Porta Estandarte que ficou datada com 6 de novembro. A data foi escolhida em homenagem ao primeiro projeto oficializado em Porto Alegre (Padedê do Samba). Essa conquista só foi possivel com a ajuda do Vereador Delegado Cleiton, que também conseguiu o espaço na Camara de Vereadores para que acontecesse o primeiro seminário.

Ramão Carvalho, gaúcho, instrutor do projeto e historiador, contou como surgiu a dança do casal. Iniciando com a colonização e vindo até os dias de hoje, o ponto forte da sua apresentação foi a valorização do tradicionalismo conflitando com inovação. 

“… Antes de inovar, temos que saber que existe uma bagagem cultural dos nossos ancestrais que deve ser preservada e respeitada…” – explica Ramão.

José Bonifácio, coreógrafo do casal de MS e PB da Mocidade Independente de Padra Miguel –RJ – também iniciou a sua apresentação falando da origem, porém deu mais ênfase a questão da identidade. Uma agremiação tem sua identidade, através de seus pavilhões. Cabe aos seus condutores respeitar essa identidade e se esforçar para que ocorra tudo minuciosamente perfeito. 
Bonifácio também esclareceu que um casal não é apenas um casal, mas sim um bailarino de uma arte popular e um atleta, por este motivo tem que existir um extremo cuidado com o seu corpo e alimentação. A preparação física de um casal tem que ser prioridade, pois quando eles passam na avenida podem se deparar com fatores naturais (chuva, vento, extremo calor) que podem ser decisivos na hora de sua apresentação. Um casal tem que saber tranquilamente que a sua dança tem um início, meio e fim. Todas essas três partes podem ser marcadas com um metrônomo, esse app ajuda a marcar os tempos quartenários dentro do samba.

Além de cuidar do corpo, é fundamental ao casal testar a sua fantasia antes, saber como ela funciona. Bonifácio conta que ele sabe montar e desmontar a fantasia do casal, sabe todas a funconalidades de cada pluma, assim se vier acontecer qualquer problema ele sabe como solucionar. 
Além de falar do seu trabalho com casal de Mestre sala e Porta Bandeira, citou alguns nomes ícones para esse quesito e contou um pouco da história de cada um. Exemplo Maçu da Mangueira, Menino dos Passarinhos do Estácio, Dona Vilma com o primeiro talabarte da história, Dóris e Elcio PV, Dodô da Portela, Manoel Dionísio, Gabi e Vivi de São Paulo, entre outros.

Finalizando o primeiro dia do Seminário Cláudio Dominicina, conhecido como Claudinho, Mestre sala, instrutor e diretor da Escola Mestre Dionisio (RJ). Em sua apresentação Claudinho esclareceu a importancia da interação dos demais segmentos da escola de samba com o casal de MS e PB.  O introsamento do coordenador do casal, com diretor de harmonia e diretor de evolução, garante uma boa apresentação do quesito sem pejudicar o restante da escola. Explica que é fundamental que os “guardiões” que irão no dia do desfile fazer a guarnição (espécie de quadrado) para que o casal possa se apresentar, acompanhem todos os ensaios tecnicos do casal. Introsamento, confiança é fundamental para a realização de um bom desfile. A principal função do guardião é proteger o casal, cuidar para nenhuma ala avance no seu espaço de apresentação, mas principalmente os câmeras de televisão.

Quando questionado sobre a importância de um apresentador, Claudinho enfatizou que existem apresentadores que querem aparecer mais que os casais, isso acaba prejudicando o desenvolvimento deles. Um apresentador tem que ter conciência de que ele tem que fazer apenas a apresentação e deixar que o casal faça o show.

No segundo dia de seminário teve como tema o julgamento do casal, com os plestrantes Eliane Sousa e Isabel Cristina, que explicaram de forma sucinta o regulamento e o manual dos avaliadores. Chula e Priscila finalizaram contando um pouco da sua trajetória. 

Iniciando o Seminário Eliane Sousa, pesquisadora, porta bandeira e jurada do carnaval, falou sobre o a ligação da dança do casal com a religiosidade e a ancestralidade. 

“Não aprendemos a dançar com um livro que explica detalhadamente o que temos que fazer, aprendemos de forma oral e corporal, com uma pessoa que tem mais experiênca nos mostrando e falando como temos que fazer.”- explica Eliane.

Um jurado tem que primeiramente que entender o que é o casal de Mestre Sala e Porta Bandeira, para posteriomente saber fazer a sua avaliação, sem deixar as emoções tomarem conta e inteferir na nota. Quando fala-se em avaliação, os jurados tem que levar em conta a leveza, a harmonia, a técnica e o cumprimento dos passos obrigatórios sem deixar de perceber a poesia que existe na execução do bailado. 

Os casais no dia do desfile têm que revisar todas as suas indumentárias, pois se algo na fantasia estraga isso prejudica na nota do casal, pois ele é avaliado como um todo. 
Isabel Cristina, Porta Bandeira, jurada e coordenadora de jurados, explicou que quem deseja ser jurado um dia, precisa saber que fará escolhas. Antes de ser coordenadora de jurados do quesito de mestre sala e porta bandeira em São Paulo, Isabel já havia sido jurada de 2005 à 2011. Em 2013 enviou o seu currículo e um projeto para poder ter-se coordenadora. Nesse projeto ela teve que colocar o que entendia do quesito, dar sugestões de argumentos e etc. Percebeu que um dos maiores problemas que existia era justamente a argumentação dos jurados para os casais. Mesmo não sendo uma tarefa fácil ela conseguiu ser selecionada. 

O que faz um coordenador de jurado?
Ele tem uma parceria direta com a Liga das Escolas de Samba;
Pode mudar o regulamento;
Seleciona os jurados para o dia do desfile;
Organiza e da cursos para esses jurados selecionados;
Faz uma dos erros e acertos de cada jurado com imagens das apresentações dos casais. (um encontro com os jurados e em outro momento com os casais e presidentes das agremiações)
Toda a defesa de argumento e nota debatida é filmada.

Todos esses procedimentos têm como principal objetivo fazer com que diminua a subjetividade nas justificativas. Para que nenhum casal tenha mais ou menos décimos descontados a cada cabine com o mesmo erro. Foi criado um critério de julgamentos, que são classificados em leves, médios, graves e gravíssimo. Padronizando o desconto de notas. 
Ao falar da dança do casal ela fez uma reflexão sobre até onde é bom evoluir. 

“existe um excesso de coreografias nos casais hoje em dia que os deixam muito artificiais e robotizados. Sinto falta de ver a dança clássica do casal, e o improviso na dança. Devemos refletir... Será que toda essa mudança foi produtiva?” questiona Isabel.

Finalizando as apresentações, Chula e Priscila contaram um pouco da sua trajetória. São 8 anos de amizade, sintonia e cumplicidade. Durante esse período o casal já passou com problemas na fantasia, sofreram ameaças por não obterem nota máxima entre outros apuros. Superando todos esses obstáculos não desistiram e continuaram juntos. 
Chula se emocionou ao falar do projeto Bailado que iniciou na Estado Maior da Restinga e hoje tem o apoio do Satélite Prontidão. 

“Não existe nada mais gratificante que tu ver crianças que teriam tudo para seguir um mau exemplo, fazendo ao contrário. Seguindo o exemplo do bem.” 

segunda-feira, 23 de novembro de 2015

1º Seminário do Padedê do Samba [resumo]

1º Seminário do Padedê do Samba




Olá! Venho por meio desta singela mensagem, agradecer à Simone Ribeiro, 1ª porta bandeira do Imperadores do Samba e presidente da Escola de Mestre Sala, Porta Bandeira e Porta Estandarte Padedê do Samba pela grande ideia de fazer o Seminário sobre o Quesito Mestre Sala e Porta Bandeira.

Foi um momento importante e quem foi, pode verificar que este importante Quesito Mestre Sala e Porta Bandeira é permeado de muita história, de cultura, de ancestralidade, de magia e de significados. Os palestrantes que por lá estiveram puderam nos remeter à fantástica construção não só de um quesito em si, que tem toda uma formação ao longo do tempo, mas de que há um todo, uma magnificência incomparável... Por favor, desculpem o meu entusiasmo, mas foi o que senti assistindo, e acredito que quem compareceu também pode perceber [claro que, comparado ao número de dirigentes, de casais e das direções de harmonia geral que existem no carnaval, pode-se dizer que havia lá uma resumida população]... mas como diz a frase pronta: “quem não foi perdeu”...

Quem por lá esteve pode refletir que só dançar não basta, quem quer saber do quesito, deve conhecer seus preceitos, dogmas e significados... e foi isso que o Seminário proporcionou; estudar o quesito, pois o objetivo era a verificar e estudar a estrutura e a  qualidade do nobre bailado.

No início, sábado pela manhã, este que vos escreve, trouxe algumas reflexões sobre a história do casal... as origens, todas as influências que configuraram na formação e na estrutura do par, bem como dos significados de tudo o que envolve o casal de mestre sala e porta bandeira.

O carioca José Bonifácio Júnior, o Boni, nos brindou também com uma visão histórica, desde o surgimento das sociedades até os dias atuais, falou da conduta, do posicionamento, de etiqueta, do comportamento, das ritualísticas e de tudo o que um casal deve fazer, visando a melhoria constante e para a qualidade do trabalho do casal... Após o carioca Claudinho falou sobre a evolução do casal na pista, as configurações e exemplos de como ocorre o desenrolar de um desfile. Pautou muito da importância da Harmonia Geral na condução do casal e o quanto esta pode interferir no trabalho e no todo.

No Domingo, a Doutora Eliane Santos Souza, do Rio de Janeiro, em sua brilhante explanação, nos colocou em transe, transcorrendo da formação, da “evolução” da dança e da parte técnica, porém, manteve uma atmosfera ritualística, dando conta dos segredos ocultos e da mística que envolve a dança do casal.

Isabel Cristina, gaúcha consagrada na condução de importantes pavilhões do carnaval de Porto Alegre, demonstrou algumas características do Regulamento e do Manual de Julgamento do quesito e demonstrou o seu trabalho primeiro como Jurada e depois como Coordenadora dos jurados do quesito mestre sala e porta bandeira em São Paulo.

Encerrando o Seminário, o mestre sala Chula e porta bandeira Priscila, deram uma contribuição muito importante para o carnaval, além de sua dança, eles contaram sua trajetória e das muitas experiências e situações que um casal se submete... enfim outro momento único!

Este pequeno resumo dá a ideia da dimensão que foram estes dois dias. Em breve, vou escrever mais um sobre este, que considero um grande evento para o Quesito Mestre Sala e Porta Bandeira no nosso Estado, para o carnaval de Porto Alegre e para o Carnaval gaúcho. Aproveito e reforço o agradecimento à Presidente Simone Ribeiro, mas também à todos que ajudaram de alguma forma, como ao Delegado Cleiton, a instrutora Denise Nogueira, ao conselho de alunos, que “meteram a mão na massa”: Tairine Machado, Alisson Prado e Ângelo Cesar de Jesus, que tornaram este evento possível.

Obrigado por este momento!

Até a próxima.

Ramão Carvalho

domingo, 15 de novembro de 2015

1º Seminário sobre Mestre Sala e Porta Bandeira

1º Seminário sobre Quesito Mestre Sala e Porta Bandeira - Porto Alegre - RS


Atenção! Vem aí o 1º Seminário sobre Mestre Sala e Porta Bandeira.
Momento importante: Encontro aberto a todos os segmentos que desejam saber mais do quesito, entender como é, como se julga, qual a posição da dupla, a coordenação, a evolução, enfim, tudo o que está ligado ao casal e à bandeira.

O 1º Seminário, intitulado A DANÇA NOBRE DO CARNAVAL: Estrutura e Qualidade, idealizado e desenvolvido pela Escola de Mestre Sala e Porta Bandeira Padedê do Samba, tem por objetivo avaliar, refletir e conscientizar sobre toda a estrutura que se faz necessária e interfere nas atividades do quesito mestre sala e porta bandeira. O propósito é de integrar saberes, melhorar as condições de trabalho dos nobres casais, colaborar para a harmonia geral da escola e compartilhar experiências gaúchas e cariocas.

O encontro de estudos acontecerá com ciclo de palestras em dois (2) dias, e seis palestrantes, e ocorrerão nos dias 21(sábado, das 9:30-18h) e 22(domingo, das 9:30-12:30h) de novembro de 2015, na Câmara de Vereadores de Porto Alegre; situada na Avenida Loureiro da Silva, numero 255, Centro Histórico de Porto Alegre – RS.

Nesta edição contaremos com a vasta experiência dos palestrantes:
·José Bonifácio – Mocidade Independente de Padre Miguel – RJ.
·Claudinho (Claudio Dominicina) – Mestre Sala, Instrutor e Diretor da Escola Mestre Dionisio – RJ.
·Eliane Santos de Sousa – pesquisadora, porta bandeira e jurada do Carnaval – RJ.
·Ramão Carvalho – Mestre Sala, temista e jurado do Carnaval – RS.
·Isabel Cristina – Porta Bandeira, Jurada e Coordenadora de Jurados – RS.
·Chula e Priscila – 1º Casal de MS&PB da A.S. Praiana e responsáveis pelo Projeto Bailado – RS.

Será fornecido Certificado de Participação aos inscritos no Seminário.
Faça sua inscrição pelo fone: (51)9102-2650  e pelo e-mail: padededosamba@gmail.com


06 Novembro, dia de celebrar os pavilhões!

Hoje é dia de celebrar os pavilhões!



Hoje, 06 de novembro é o dia de celebrar todos os pavilhões, pois é o Dia do Mestre Sala e da Porta Bandeira, onde também é comemorado o Dia da Porta Estandarte.

Esta data é especial para os carnavalescos gaúchos, pois foi pensada e idealizada especialmente para o Rio Grande do Sul. Inspirados por duas cidades de importância no mundo do carnaval brasileiro: a cidade do Rio de Janeiro, a capital do samba, que comemora a data em 24 de novembro e da cidade de São Paulo, que comemora a data em 10 de junho.

Em Porto Alegre, a data escolhida ocorre no dia 06 de novembro, e não é por acaso... o dia é marcado pela fundação da Escola de Mestre Sala, Porta Bandeira e Porta Estandarte Padedê do Samba, uma escola de aprendizado, o núcleo gaúcho da Escola Mestre Dionísio do Rio de Janeiro – RJ. Vale lembrar que é uma escola que forma casais e porta estandartes, sem vinculo direto com as escolas de samba, apesar de ter alunos e instrutores desfilando em quase todas (se não todas) as escolas do carnaval gaúcho.

Neste dia dedicado ao mestre sala, à porta bandeira e à porta estandarte, é o dia de celebrar os sagrados pavilhões, estes sagrados panos, que quando agitados pela porta bandeira e pela porta estandarte, evocam toda a ancestralidade, os fundadores, os baluartes, a velha guarda... esta energia, do girar do pavilhão aguça nossos sentidos, mexe com nossas emoções... ou seja, sem as bandeiras e os estandartes, de nada valeria, nada em nossas escolas e tribos aconteceria, pois sem estas cores, formas, insígnias e símbolos não teríamos motivação para os desfiles, enredos, disputar sambas, confeccionar fantasias e alegorias... nada...

Ao celebrar os pavilhões, há uma lição muito importante, pois é dever de todos, saber se portar diante de um pavilhão... Ao ser apresentado pelo casal, nunca vire de costas, aplaudir é a regra, retire a cobertura, se estiver usando chapéu, e se por ventura o casal lhe homenagear, oferecendo a borda da bandeira, por favor, jamais junte seus lábios diretamente à bandeira, pois você estará maculando o pano consagrado da escola, beije sempre a sua mão (as costas da mão) que segura o pano da bandeira.

Ao casal e à porta estandarte, cabe evitar de apresentar a bandeira e o estandarte aquelas pessoas que estão bebendo (com copo à mão) que estejam fumando, de chapéu... enfim, parece bobagem, mas o comportamento e a vestimenta de quem assiste a dança do mestre sala e da porta bandeira, assim como a porta estandarte é de suma importância, é equivalente aos saraus, as festas da realeza... momento muito especial.

Ramão Carvalho.

FONTES:
http://www.setor1rs.com.br/2014/11/24-de-novembro-dia-do-mestre-sala-e-da.html
http://www.escolamestredionisio.net.br/#

Vida longa ao Padedê do Samba


Vida longa ao Padedê do Samba



Hoje, 06 de novembro é o aniversário do Padedê do Samba. Escola que forma mestres sala, porta bandeiras e porta estandartes. Escola esta que foi fundada por Manoel Dionisio, carioca que é mantenedor da Associação Cultural Educativa Escola de Mestre Sala, Porta Bandeira e Porta Estandarte da cidade do Rio de Janeiro.

Tudo começou diante a algumas iniciativas, primeiramente por Ana Marilda Bellos, que iniciou um movimento de workshop e qualificação dos casais em 2009, depois o mesmo evento foi realizado pela UDESCA – União dos Destaques do Carnaval de Porto Alegre. Em 06/11/2010, Manoel Dionísio reuniu algumas pessoas e definiu alguns renomados nomes do carnaval gaúcho e que seriam os instrutores para dirigir uma escola de formação de casais e de porta estandartes, que fosse desvinculada e independente das entidades carnavalescas.

De lá para cá, se vão 5 anos, marcados por muita luta, muita dificuldade, mas também de muita alegria... Com experiência despertou grandes talentos e já possui relevância para as entidades e para os desfiles de carnaval do Estado. Porém, ela é uma escola mantida por iniciativas dos instrutores, dos pais e responsáveis pelos alunos, e também, conta com a ajuda de pessoas muito importantes, que estendem a mão para que aconteçam as aulas. Vale salientar que os instrutores são todos voluntários e não são remunerados para dar as aulas.

Ponto relevante é que há representação do Padedê do Samba em praticamente 99% das escolas de samba do carnaval de Porto Alegre e região metropolitana, entre alunos e instrutores.

Vida longa a esta escola!... E que num futuro próximo ela tenha onde se fixar em definitivo e tenha condições de se manter financeiramente...

Ramão Carvalho.
Fonte: http://www.setor1rs.com.br/2015/11/vida-longa-ao-padede-do-samba.html